Páginas

Mostrando postagens com marcador Contos da Taverna. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Contos da Taverna. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Porque você acorda todos os dias?

Porque você acorda todos os dias_awakening Uma pergunta muito simples, mas muito difícil de responder. É algo que muitos nos dias de hoje nem devem se questionar. Com suas vidas programadas, seus dias planejados, seus horários preenchidos e futuros a bater a porta, mas mesmo assim é uma pergunta crucial para qualquer um, até mesmo eu.

A questão é mais complexa do que parece, porque as pessoas não entendem o peso do “porque”. Para que é uma pergunta mais fácil. Eu acordo todos os dias para trabalhar e ganhar dinheiro para sobreviver, pois isso é necessário. Mas isso não é verdade, pois antes de existir uma sociedade moderna, os ancestrais dos humanos não se levantavam para trabalhar, isso nem fazia diferença para eles. Então, o “para que” não responde algo fundamental.

Como eu acordo todos os dias é algo interessante também. Acordo bem, cansado, animado, etc. Mas mesmo assim, você acorda, independentemente de como estará na hora que acordar. Isso implica que essa pergunta não é profunda o suficiente, ela não chega ao âmago da questão.

Então, só nos resta o “porque”. O “porque” é algo que mais primordial, algo que traz motivações bem mais interiores, razões bem mais urgentes, verdades inquestionáveis e irrefutáveis. O “porque” é uma questão que não te deixa quieto. Mesmo que você o ignore, o “porque” continuará te perturbando pela vida toda, trazendo esse imenso vazio que carregas no peito e na alma.

Então, porque você acorda todos os dias? A resposta muda para cada pessoa, mas geralmente é algo simples, mas fundamental.

Fiz-me essa pergunta todos os dias da minha vida, pois sempre senti que algo estava fora do lugar, e acordar no outro dia era algo automático. Mas se eu não tinha motivo de continuar vivendo, porque eu acordava todos os dias? Então eu sabia que o despertar do novo dia representava que existia algo, algo mais que eu ainda não sabia, o motivo que me dava força de continuar a abrir os olhos no dia seguinte e continuar a existir.

Mas houve um dia que acordei duas vezes, e o segundo despertar foi como nascer de novo. Nesse dia, eu soube por que acordava todos os dias antes dele. Todos os dias que acordei antes do meu Despertar, foi justamente para esperar por esse dia, era minha alma clamando, implorando por esse dia, na expectativa que ele chegasse, nem que fosse o meu último dia de vida, na minha última respiração. Foi para isso que acordei todos os dias antes daquele dia.

E naquele dia eu acordei, meus olhos se abriram e vivi meu dia como um dia qualquer, mas minha alma sentia que estava perto, que o momento chegara. Ela conseguia sentir os pequenos raios de luz passando pelas frestas das pálpebras da ignorância. E assim como a vida é, o motivo que desencadeou O fato, foi algo simples, aparentemente sem importância.

Enquanto eu entrava em uma loja, minha alma fez uma jornada. Nessa jornada ela me questionou: Por que ainda dorme?
Então eu me dei conta que ainda não havia Despertado, e pela primeira vez abri os olhos de minha alma para o mundo. Foi como nascer de novo, foi como... Foi como abrir os olhos pela primeira vez, e eu estava abrindo-os pela primeira vez, abrindo os olhos da minha alma pela primeira vez.

Porque você acorda todos os dias_WormHole

Desde aquele dia eu sei por que acordava todos os dias antes daquele. Desde aquele dia eu passei a saber porque devo acordar todos os dias.  Agora sei que devo acordar todos os dias para viver, viver tudo, e quando digo tudo, é realmente TUDO, pois há muita coisa para se viver, de muitas formas diferentes, e cada coisa nova a se viver é um motivo para acordar no outro dia.

E você, sabe por que acordar todos os dias?

Eu sei!

Leia Mais ►

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Existem monstros no meu apartamento!

Contos da Taverna - 1558918_151634_ed77b18d2d_l     Sabe no meu apartamento sempre teve uma coisa esquisita. Não é exatamente dentro do meu apartamento, na verdade é no andar que eu moro, mas é como se fosse o jardim de casa, então eu chamo de meu apartamento mesmo.

    Aqui no corredor de fora de casa, tem uma porta grande e pesada que da para um espaço apertado e que tem outra porta. Abrindo essa última porta da para ver a escada de emergência do prédio. Só que nesse espacinho entre uma porta e outra, o pessoal coloca os lixões do andar. Mas lá também tem uma janela com quase a largura da parede, mas bem achatada e com uma grade de proteção com apenas uns pequenos buracos.

    Eu sei que sou pequenino, mas gosto de ajudar em casa, por isso, de vez em quando eu levo o lixo até lá, nesse espacinho. Sempre gostei de ir lá, apesar de morrer de medo toda vez. Sempre que abro a primeira porta, já começa aquela sensação, de que algo está por perto, algo está me observando. Aí eu corro e coloco o lixo bem rapidão, só para não ser pegue por essa coisa.

    Não sei para que serve essa janelinha lá do espacinho, porque ela fica virada como se fosse para dentro do prédio, mas lá não deveria ter espaço para caber nada, nada mesmo. Bem, talvez umas baratas ou alguns bichinhos pequenininhos, mas nada grande, pelo menos, nada grande como ele.

    Sempre foi assim, desde que me lembro, eu sempre tive medo daquele espacinho, mas sempre gostei de ir lá e abrir aquela porta, era como se fosse uma prova de coragem, sei lá. Só sei que é legal.
Ah, e não só sou eu que tenho medo de lá, os meninos dos outros andares que eu brinco também tem medo, eles também acham que tem algo lá, que fica olhando para a gente. Nós até já contamos para nossos pais, mas os meus sempre disseram que era minha imaginação, e os dos meus amigos diziam para eles deixarem de brincadeiras bobas.

    Foi então que houve um barulho estranho. Um barulhão vindo lá da cozinha, parecia até que alguém tinha entrado em casa com um trator. Eu acordei com o barulho e fiquei assustado, e logo que me levantei da cama papai veio me pegar e levar para o quarto dele. Ele estava com cara de assustado, que nem quando meu amigo Pedro caiu e quebrou o braço.

    Então três homens entraram no quarto da gente. Eles gritavam muito, e não pude entender bem o que eles falavam, só sei que papai gritava com eles também. Então eles pegaram o papai e a mamãe e levaram para a cozinha. Depois um outro veio me pegar. Quando cheguei na cozinha papai estava ajoelhado no chão e mamãe estava sentada na pia. Os homens seguravam pistolas, que nem as de plástico que eu brinco de polícia e ladrão, mas só que essas eram de metal mesmo.

    Um deles bateu na mamãe e começou a tirar as roupas dela. Mamãe gritava muito, mas o homem só tampava a boca dela. Achei estranho, porque o homem começou a tirar as calças, que nem quando eu vou fazer pipi. Será que ele ia fazer xixi em cima da mamãe? Papai tinha me dito que isso era muito feio, pois eu já tinha feito xix em cima de alguém quando era menor.
Papai ficou muito nervoso e agarrou o braço do homem que segurava a pistola para ele. Então um estouro grande que me fez fechar os olhos sem nem pensar e também quase me fez ficar surdo. Ouvi que mamãe começou a gritar e depois passos correndo, aí eu ouvi outro estouro.

    Eu já estava quase surdo, só ouvia um ziiiimmm no meu ouvido, e aí eu decidi abrir os olhos. Foi quando eu vi mamãe e papai deitados no chão, cheios de tinta vermelha. Tentei acordá-los, mas eles não se mexiam. Chamei: Mamãe, papai, mas eles não respondiam.

    Um dos homens, o grandalhão, veio com aquela mãozona para me pegar, mas eu senti que tinha que correr, fugir daqueles homens. Então minhas pernas se mexeram antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo. Não sei por que, mas eu sentia que tinha que ir para o espacinho e me esconder lá.

    A luz da escada não funciona no meu prédio, tem que pedir para o porteiro acender, então eles poderiam não conseguir me enxergar lá, bastava que eu ficasse onde a luz do corredor não iluminava.

    Entrei lá bem rápido e me encostei na parede.

    A única coisa que ouvia era o ziiiimm no meu ouvido, mas eu podia sentir que eles estavam se aproximando, sentia um aperto no meu peito, como quando nós brincamos de pique-esconde e a pessoa que está procurando está bem perto da gente. Fechei os olhos e comecei a pedir para alguém me ajudar, mas pedi falando só comigo, sem mexer a boca, para que só eu pudesse escutar. Por favor, alguém me ajude.

    O aperto no peito aumentou e aumentou, até para de aumentar e ficar parado. Depois de um tempo o aperto começou a diminuir e diminuir, e quando parou eu abri os olhos. Foi então que vi. Havia os pés de um dos homens no chão, como se ele estivesse, deitado, com os dedos dos pés apontado para o teto. A porta da escada estava fechada em cima da perna dele e só dava para ver os tênis e um pouco da calça dele, mas que der repente começou a se arrastar para dentro, como se ele deslizasse no chão de costas, parecendo uma cobra na TV.

Um Montro no meu apartamento - shh

    Quando os pés do homem entraram todo na escuridão, eu vi as duas bolinhas vermelhas na escuridão, eram redondos e piscavam, eram... eram... eram como olhos redondos como bolinhas e que brilhavam vermelho. E uma grande mancha branca surgiu na região que estava meio iluminada, mas na verdade não era uma mancha, era uma grande boca cheia de dentes brancos. E um dedo com uma unha bem grande e preta apareceu na frente da boca, e Ele fez chiiiiii! E sumiu para dentro da escada com o homem.

    Quando eu saí do espacinho, vi que tinha tinta vermelha para todos os lados, na parede, no teto e no chão, e os três homens não estavam mais no corredor nem em casa. No andar estávamos apenas mamãe, papai, eu e Ele.

Leia Mais ►

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Travessia da Passarela

  Estaciono no terreno baldio perto da concessionária e escondo o veículo em sombras para que ninguém ordinário possa vê-lo. Isso garantirá sua segurança, deixando-me menos preocupado.

walkingbridge_2   Subo a passarela lentamente, chegando até o piso plano. Vejo o centro de convenções da cidade à esquerda e a minha antiga Universidade à direita. Sei que este é o local certo, e, para garantir, conjuro um encantamento que libera meus sentidos de uma forma que não consigo descrever. Os gestos são realizados com desenvoltura, com a fluidez de meses de prática.

  Então vejo a passarela. Arcos e arcos comumente dispostos formando o portal.

  Era engraçado imaginar porque que as pessoas evitavam passar por este local. Uns diziam que era pressa, outros que era preguiça, mas todos se enganavam, escondendo de si mesmos a resposta. A verdade é que a passarela é um local especial, ela encerra ângulos e padrões arcanos imperceptíveis em toda a estrutura que ressoa com outro lugar, um local que traz medo às pessoas.

blackMagic   Começo a travessia, elaborando os padrões no ar, formando os símbolos. O espaço começa a se distorcer e as sombras tomam conta das cercanias. De repente só existe luz na passarela, engolfada em sobras externas, e é quando o portal se torna visível. À medida que ando sinto algo me repelindo, uma força que diz que não pertenço ao local que quero chegar, mas minha vontade é mais forte, distorcendo a própria realidade e abrindo caminho. Cada passo deve é cuidadosamente calculado, exigindo um símbolo diferente.

  Depois de segundos que se transcorrem em minutos, chego ao outro lado. Um local semelhante ao de outrora, mas totalmente diferente. Um mundo os habitantes não são bem o que parecem e todas as coisas que se escondem nas Sombras são verdadeiras.

Leia Mais ►